sexta-feira, 12 de março de 2010

APDETT NA VISÃO DE EITER RODRIGUES


Uma reunião na APDETT

    Sábado, dia seis, eu estive presente na reunião da APDETT - Associação dos Portadores de Deficiências da Estância Turística de Tupã, que aconteceu a partir das dezesseis horas, na EE “Helena Pavanelli Porto”.
      A entidade, embora já exista há alguns anos, tem ainda muita carência. O mandato da diretoria é de três anos, e termina no próximo mês de abril. Nova eleição vai acontecer e é unânime a intenção de eleger presidenta para o próximo período a senhora Maria Helena Mozena. Mulher dinâmica, muito entusiasmo, mas todos têm que levar em conta que há a necessidade de todos arregaçarem as mangas e se dedicarem em benefício da entidade, porque pelo que observamos muita coisa ainda precisa ser feita e embora haja muito dinamismo por parte da maioria, temos que considerar a entidade como um todo.
      A intenção inicial é alugar uma sala para que possa, além de um local para as reuniões, ser montado um arquivo completo de todos os sócios, uma biblioteca e um local para leitura e estudos, e principalmente a entidade ter um endereço fixo, um ponto de referência, onde possa ser contactada com facilidade.
      Mesmo você não sendo um deficiente, mas tendo um coração com sentimento puro, venha fazer parte desta instituição. Tenha a certeza de que todos serão bem vindos e que muito poderão fazer em benefício de todos.
Uma das coisas que eu pude observar nos associados que lá estavam é que nenhum procurou chamar a atenção para si como sendo ele um “tadinho” (tadinho é aquele que se acha o único sofredor no mundo). Ao contrário, todos animados, dando suas opiniões para que a entidade busque seu espaço em benefício de todos.
      Venha participar. Traga o seu amor e carinho para lá somar com os já existentes. (Publicado no Jornal "O Diario" de Tupã em 9/3/2010)
Eiter Rodrigues, Bacharel em Direito e emAdministração de Empresas - (14) 3496-2545

segunda-feira, 8 de março de 2010

SALVE 8 DE MARÇO!


NO DIA 24E FEVEREIRO DE 2010 UMA MULHER FOI BRUTALMENTE ASSASSINADA PELO MARIDO EM NOSSA CIDADE.

A TODAS AS MULHERES DE TUPÃ...

A DIFÍCIL ARTE DE SER MEULHER
Frei Betto
“Hours concours em   Cannes, um dos filmes de maior sucesso no badalado festival francês  foi  “Ágora”, direção de Alejandro Amenabar. A estrela é a inglesa  Rachel Weiz,  premiada com o Oscar 2006 de melhor atriz coadjuvante em  “O jardineiro fiel”,  dirigido por Fernando Meirelles.
Em  “Ágora” ela interpreta  Hipácia, única mulher da Antiguidade a se  destacar como cientista. Astrônoma,  física, matemática e filósofa,  Hipácia nasceu em 370, em Alexandria. Foi a  última grande cientista de  renome a trabalhar na lendária biblioteca daquela  cidade egípcia. Na  Academia de Atenas ocupou, aos 30 anos, a cadeira de  Plotino. Escreveu  tratados sobre Euclides e Ptolomeu, desenvolveu um mapa de  corpos  celestes e teria inventado novos modelos de astrolábio, planisfério e   hidrômetro.
Neoplatônica, Hipácia defendia a liberdade de   religião e de pensamento. Acreditava que o Universo era regido por  leis  matemáticas. Tais idéias suscitaram a ira de fundamentalistas  cristãos que, em  plena decadência do Império Romano, lutavam por  conquistar a hegemonia  cultural.
Em 415, instigados por  Cirilo, bispo de Alexandria,  fanáticos arrastaram Hipácia a uma  igreja, esfolaram-na com cacos de cerâmica  e conchas e, após  assassiná-la, atiraram o corpo a uma fogueira. Sua morte  selou, por  mil anos, a estagnação da matemática ocidental. Cirilo foi  canonizado  por Roma.
O filme de Amenabar é pertinente nesse  momento  em que o fanatismo religioso se revigora mundo afora. Contudo, toca   também outro tema mais profundo: a opressão contra a mulher. Hoje, ela  se  manifesta por recursos tão sofisticados que chegam a convencer as  próprias  mulheres de que esse é o caminho certo da libertação  feminina.
Na  sociedade capitalista, onde o lucro impera  acima de todos os valores, o padrão  machista de cultura associa  erotismo e mercadoria. A isca é a imagem  estereotipada da mulher. Sua  autoestima é deslocada para o sentir-se desejada;  seu corpo é  violentamente modelado segundo padrões consumistas de beleza; seus   atributos físicos se tornam onipresentes.
Onde há oferta  de  produtos – TV, internet, outdoor, revista, jornal, folheto, cartaz  afixado em  veículos, e o merchandising embutido em telenovelas – o que  se vê é uma  profusão de seios, nádegas, lábios, coxas etc. É o açougue  virtual. Hipácia é  castrada em sua inteligência, em seus talentos e  valores subjetivos, e agora  dilacerada pelas conveniências do mercado.  É sutilmente esfolada na ânsia de  atingir a perfeição.
Segundo  a ironia da Ciranda da bailarina,  de Edu Lobo e Chico Buarque,  “Procurando bem / todo mundo tem pereba / marca  de bexiga ou vacina /  e tem piriri, tem lombriga, tem ameba / só a bailarina  que não tem”.   Se tiver, será execrada pelos padrões machistas por ser  gorda,  velha, sem atributos físicos que a tornem desejável.
 Se   abre a boca, deve falar de emoções, nunca de valores; de fantasias, e  não de  realidade; da vida privada e não da pública (política). E  aceitar ser  lisonjeiramente  reduzida à irracionalidade  analógica: “gata”, “vaca”,  “avião”, “melancia” etc.
 Para  evitar ser execrada, agora Hipácia  deve controlar o peso à custa de  enormes sacrifícios (quem dera destinasse aos  famintos o que deixa de  ingerir...), mudar o vestuário o mais freqüentemente  possível,  submeter-se à cirurgia plástica por mera questão de vaidade (e  pensar  que este ramo da medicina foi criado para corrigir anomalias físicas e   não para dedicar-se a caprichos estéticos).
Toda mulher  sabe:  melhor que ser atraente, é ser amada. Mas o amor é um valor  anticapitalista.  Supõe solidariedade e não competitividade; partilha e  não acúmulo; doação e  não possessão. E o machismo impregnado nessa  cultura voltada ao consumismo  teme a alteridade feminina. Melhor  fomentar a mulher-objeto (de consumo). 
Na guerra dos  sexos, historicamente é o homem quem dita o lugar  da mulher. Ele tem a  posse dos bens (patrimônio); a ela cabe o cuidado da casa   (matrimônio). E, é claro, ela é incluída entre os bens... Vide o  tradicional  costume de, no casamento, incluir o sobrenome do marido ao  nome da  mulher.
No Brasil colonial, dizia-se que à mulher  do senhor de  escravos era permitido sair de casa apenas três vezes:  para ser batizada,  casada e enterrada... Ainda hoje, a Hipácia  interessada em matemática e  filosofia é, no mínimo, uma ameaça aos  homens que não querem compartir, e sim  dominar. Eles são repletos de  vontades e parcos de inteligência, ainda que  cultos.
Se  o atrativo é o que se vê, por que o espanto ao saber  que a média atual  de durabilidade conjugal no Brasil é de sete anos? Como  exigir que  homens se interessem por mulheres que carecem de atributos físicos  ou  quando estes são vencidos pela idade?
Pena que ainda não   inventaram botox para a alma. E nem cirurgia plástica para a  subjetividade.” (Publicado no Jornal "O Diário" de 8/3/2010)

SEJAM BEM VINDOS!

Eu aqui imaginando que todos vocês que entrarem nesse blog são formigas, pois desde há muito tempo ouço dizer que “conscientizar é um trabalho de formiguinha”, então formigas, desejo que nossa Associação seja cada vez mais conhecida e independente, pois nosso objetivo é a inclusão social do deficiente através da conquista de políticas públicas e que nunca percamos o foco de que nossa organização contribui para a construção de um mundo melhor para todos.
Beijos fraternos!

Maria Helena Mozena
25 de agosto de 2009.